quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O poder de atracção do peido

Aproveito este meu momento de pausa da minha inútil vida para partilhar convosco, algo de que talvez não se tenham apercebido, mas que acontece e, que a meu ver, será um verdadeiro flagelo pelas consequências tenebrosas que traz consigo, de entre as quais destaco a descredibilização. Continuo, todavia, sem enunciar o que verdadeiramente me irrita e, para o enunciar, nada melhor do que narrar o que aconteceu hoje:
Uma bela tarde de Inverno, depois de uma picanha, num sítio agradável, com pessoas agradáveis, sentados em amena cavaqueira e eis que sinto o apelo. Sim, o apelo do peido. opções:
1- Peidar-me na boa e fazer um ar orgulhoso para demonstrar a minha auto-confiança;
2- Peidar-me para dentro (inexequível);
3-Peidar em prestações, para descobrir se o cheio era tenebroso ou se conseguia passar despercebido;
4- Saír da conversa e pedir para ir à casa de banho (não dava tempo);
5- Ser discreto.
É óbvio que só uma análise in casu vos poderá levar a tomar a opção certa, tendo em conta as diferentes variáveis, nomeadamente as pessoas que vos rodeiam. A minha opção certa foi ser discreto, atendendo a que não tinha a confiança com as pessoas à minha volta para optar pela primeira ( a mais habitual). Por conseguinte, levantei-me e fui até à porta, que estava aberta, e encostei-me a ela, com o rabo de fora e com a cabeça dentro (acreditem que fui mais discreto do que esta narração parece demonstrar) e enfim, peidei-me como gente grande.
O meu plano tinha tudo para dar certo, não fosse existir algo chamado subsconsciente, que é mais forte do que qualquer razão.
De imediato, uma das pessoas com quem partilhava a (até aí) agradável conversa levantou-se e veio ter comigo para me dar uma palmada nas costas que expressava concordância com o que eu estava a dizer.
Surge um problema óbvio: não sei quem ficou mais envergonhado, se ele, que tinha furado o meu plano e tinha sentido o aroma do sofrimento e não sabia se disfarçava ou reagia (independentemente do carácter da reacção); se eu, que elaborei um plano tão complexo, que saiu gorado e passei a vergonha de me ter peidado à frente de toda a gente, o que deve ter resultado em comentários jocosos sobre mim. Talvez tenha sido mesmo eu...
Continuam sem perceber o que me irrita?
Pois bem, irrita-me o facto de a minha história ser uma verdade quase-cientificamente comprovada. Experimentem agir como eu e serem discretos. A pessoa que está a falar convosco vai-se levantar para vos dar uma palmada nas costas, para vos dizer um segredo ou para vos cheirar o perfume. Caso isso não aconteça, de certeza que alguém vai surgir pela porta e vai sentir o cheiro...Irrita-me o subconsciente das pessoas que leva a que elas adivinhem que eu me peidei e se aproximem de mim.


Tenho saudades dos meus (já longínquos) primeiros dias de faculdade, em que eu ia para as aulas, peidava-me a torto e a direito e, como não conhecia ninguém das 6 pessoas que me rodeavam no anfiteatro, sussurrava um "badalhocos", que me tornava inimputável face ao meu crime gasoso (julgo eu) e ficava a apreciar o espectaculo de toda a gente a sofrer..Aí sim, eu era discreto...

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